segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Prefiro ficar perto do leproso

Vamu lá, crente...cê não tem opinião??
Então deixe um comentário no final do post, ok?



post criado em 09/09/2009


Eu tenho medo de gente muito santa, muito pura, muito sem pecado.
Tenho medo de gente que repara no olho do outro, tentando o tempo todo tirar-lhe a trave, limpar um cisquinho.
Tenho medo de gente que se escandaliza com coisas imbecis, superficiais, exteriores, como se quisesse desviar a atenção de “alguma outra coisa”.
Tenho medo de gente que ora demais, que sonha demais, que ouve Deus falar 30 horas por dia.
Tenho medo dos que não sabem rir, que não ficam com a família, que não sabem se divertir nas horas de folga, que não fazem nada além de buscar ao Senhor e ir nos montes, nas vigílias e nas visitas.
Tenho medo…

Prefiro ficar perto de gente mais comum, mais real, que erra, mas que fala: “errei”.
É melhor ficar na companhia de gente menos caricata, menos maquiada, menos plastificada, menos religiosa.


Jesus também preferiu assim e foi duramente criticado por isso.
Enquanto Ele poderia estar nas casas imponentes do bando que estava doido para lhe fazer uma média ou participar das ricas mesas dos donos da grana, foi para um lugar chamado Cesaréia de Filipo.
Ô lugarzinho de má fama!
Uma corja que não valia nada se reunia ali: prostitutas, ladrões, beberrões, excluídos, rejeitados, marginalizados.

Pelo menos lá ele não precisava ficar escutando a baboseira sensacionalista de gente que queria mostrar o quanto sabia de Deus e da Lei.
Ali Ele podia se revelar Mestre e Senhor porque o coração dos doentes e necessitados é despojado de altivez.
Os que se acham bons demais não tem ouvidos para ouvir porque só desejam falar.
Raça de víboras, hipócritas, fariseus.



No texto de Levítico 13, um homem cujo corpo estivesse completamente coberto de lepra, da cabeça aos pés, seria considerado puro pelo sacerdote:

2-Se a lepra se espalhar na pele toda, cobrindo o corpo todo, desde a cabeça até os pés, o quanto podem ver os olhos do sacerdote,

3-então este o examinará. Se a lepra tiver tiver coberto toda a sua carne, então será declarado limpo…”

Você não acha estranho?
No contexto, quanto mais discretas as manchas, mais imunda a pessoa seria considerada, e até afastada do arraial.
No entanto, pessoas com lepra evidente, em toda a pele, seriam consideradas puras.

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Acontece que uma pessoa com manchas discretas da doença, que estivessem escondidas debaixo da roupa, seria muito mais perigosa porque ninguém a evitaria, e o risco de contaminação seria muitas vezes maior.
Já a pessoa leprosa por inteiro não precisava ser afastada do povo porque ninguém teria coragem de ficar perto. Naturalmente todos a evitariam por saberem que o risco de contágio era enorme.

Por isso eu repito: tenho medo de gente que tem “pouca mancha”, que esconde por debaixo da roupa a lepra e se mistura com o povo, representando, fingindo, ocultando, traindo, conspirando.
Cansei de ver gente assim, cansei!
*que parece, mas não é;
*que profetiza, mas não vem de Deus;
*que ora em línguas que até Deus desconhece;
*que com uma mão me abraça, mas com a outra me apunhala;
*que elogia meu ministério, mas que gostaria é de estar no meu lugar;
*que chora, mas é de raiva;
*que come na minha mesa e depois cospe no prato;
Raça de víboras, hipócritas, fariseus.

Prefiro ver de longe a doença, ver bem claras as feridas, me arriscar perto dos bacilos e me expôr aos vírus.
Prefiro abraçar o enfermo de pecados do que estar sentada com o falsificado, o genérico, o dissimulado, o profeta comprado.

Prefiro buscar em Deus coragem suficiente para me sentar perto do leproso porque só assim, quem sabe, verei o milagre.

10 comentários:

acrperes@gmail.com disse...

09/09/2009
Eu realmente gosto muito dos seus escritos.
Tenho procurado a companhia de pessoas que pensam como você.
As pessoas que tem excesso de “santidade” nunca entenderão nossa liberdade em Cristo.
Sabe eu nunca tinha refletido nesse texto sobre a lepra; gostei.
Fico feliz que sua salvação está se desenvolvendo com saúde.

alessandraelias@terra.com.br disse...

09/09/2009
Maninha, essa foi da hora...sabe, eu também!!!!!!!!

Chicco Sal disse...

Olha, vc mandou muito bem! Este é o Evangelho que creio e prego.

Daniel Grubba disse...

Muito legal o post. Confesso que há alguns meses tenho me afastado de pessoas assim. A gota d´agua foi quando uma delas disse que estava triste por não ter lido a bíblia, pois estava no almoço com a família, e que devia estar na igreja. Sabe querida, cansei. Cansei de verdade, deste ambiente religioso cheio de máscaras. Cansei de ter que vestir uma máscara para ser amado e respeitado. Cansei de falsidade travestida de santidade.

Anônimo disse...

Gostei especialmente dos três últimos parágrafos que começam com a palavra: "Prefiro". Porque, parecido contigo, tenho medo também dos que explicitam a hipocrisia dos outros, atacam a dissimulação dos religiosos e demonstram os defeitos deles, mas que não trazem solução alguma para estes que também são pecadores, com "algumas manchas" ou "todo coberto", tanto faz. Penso que também falta-lhes amor, misericórdia e graça com estes que são atacados e que também são nossos irmãos. Não nos esqueçamos que José de Arimatéria e Nicodemos, além de Saulo, judeus/fariseus sim, mas que se converteram ao SENHOR e se tornaram nossos irmãos. Penso que corremos o risco de sermos menos hipócritas mostrando nossos defeitos institucionais e mais particularmente cínicos, apenas apontando a problemática sem misericórdia. Graças a Deus que não é o seu caso, pois se incluiu muitas vezes e de maneira sincera e honesta. No entanto, o bom mesmo é sermos como Jesus que não fazia acepção de ninguém, ninguém.

márcio rocha disse...

muito bom texto!

nada a acrescentar!...é a síntese do que acontece msm; pra vc ver que nada mudou da época de Jesus para os dias de hoje.

Verdade e hipocrisia, serão sempre os temas nevralgicos da mensagem de Cristo. acredito que todo o evangelho resume-se a confrontar a verdade a respeito da vida de cada um.

um abraço querida...

fica com Deus

blogdaleilahh disse...

Eu? Estive andando com essa gente aí...até que... meus filhos começaram a passar por problemas por causa da minha ausência.
Hoje? Sou autêntica, estou almoçando e jantando com minha família...
Graças a Deus, estamos felizes de verdade!
...li seu texto no Pavablog, vim te conhecer, gostei e estou te seguindo.
Abraço.

Pra. Célia disse...

Parabéns!!!
É uma mulher destemida, traz uma palavra irreverente, verdadeira, que faz com que meditemos até onde temos ido na aparência de santidade ou como viver realmente em santidade.
Viver uma vida real de santidade, requer também, tempo de relacionamento saudável com nossos filhos, nossos amigos...enfim, sorrir, passear no shopping, influenciar os lá de fora com nossa maneira sincera, ungida e alegre de viver.
Gostei de voce....shalom!!!!

Regina Farias disse...

Entrei aqui lendo muita coisa rapidamente, entretanto nem gosto disso, depois venho com calma pois fico feliz por encontrar um blog assim como o seu. Raro.
Gosto de quem sai do lugar-comum, de quem quebra paradigmas, quem derruba mitos com LEVEZA e bom humor. E isso só consegue quem está impregnado do Amor de Cristo.
Que Deus te abençõe e à tua família!

Marçal disse...

Tenho opinião, sim! Muito legal, endosso tudo o que você falou. Não posso dizer que este post cabe para fulano ou beltrano, pelo contrário, tenho que me policiar para não cair nessa de crentão metido a besta. Parabéns! Você descreveu algo que acontece com frequencia nas igrejas.